segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Começou tuuuuuuudo outra vez, por Tita (2003)

 Quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Começou tuuuudo outra vez

Curitiba, 17 de fevereiro de 2003.

Hoje foi meu primeiro dia de aula no novo colégio. Novamente as férias acabaram e lá vou eu à luta novamente. Provas, trabalhos, deveres de casa… começou tuuuuudo outra vez. :/
Sempre fui muito tímida, possui poucos amigos e por vezes já sofri bullying, mas nada que me impedisse de levar uma vida normal.
Logo criança meus pais se divorciaram e fui praticamente criada por minha mãe, que quando eu completei 5 anos, casou-se novamente.
Entre meus colegas eu era a exceção, enquanto hoje sou a regra.
O Horácio é um padrasto muito legal, não tenho por que reclamar dele. Mamys e Horácio não pretendem ter mais nenhum filho e eu admito que gosto de ser filha única, embora muitas responsabilidades me acometam.
Não que eu seja uma garota preguiçosa, mas não gosto muito de lavar a louça… se é que me compreendem, não é mesmo? Ah, confesso que não gosto de acordar cedo, em especial no frio.
Mas chega de blá-blá-blá… não gosto muito de primeiro dia de aula porque normalmente perco algum tempo até encontrar minha sala. Fico imaginando com que tipo de gente vou estudar e me desespero mais ao pensar que ainda há oito longos meses letivos me esperando.
Praticamente fui obrigada a me levantar e, com o belo humor que estava, vesti a primeira peça que vi ao abrir o guarda-roupa. Não estava com apetite nem mesmo para devorar uma barra de chocolate inteirinha.
Ao chegar à fachada da escola, conheci os lúgubres blocos onde permaneceria aquele ano inteiro.
Nosso colégio fica localizado muito perto de uma favela perigosa e sinceramente isso me traz angústia e medo.
Por onde olhava era uma multidão se cumprimentando, se empurrando para saber em que sala ficaria e eu ali, perdida na imensidão daqueles cinco blocos pichados e caindo aos pedaços.
O sinal enfim tocou… parecia mais uma sirene de ambulância… o que me deixou mais assustada do que já estava…
A diretora Raimunda Mascarenhas berrava com insistência pelo alto-falante e o som idêntico ao de uma caixa de abelhas tomava conta de todos os blocos.
Acho que ela deve ter passado mais de quinze minutos falando sobre o início de ano, as regras da escola (para assustar aos novatos) e falando sobre as reformas (imperceptíveis) na fiação e na pintura do colégio…
Sabia ao menos em que turma ficaria, então entrei na fila e permaneci ali. Foi então que descobri com quem estudaria.
Parecia que todos por ali já se conheciam e eu me sentia uma intrusa no meio daquela gente. Havia a garotinha tímida na minha frente e a espalhafatosa à frente da tímida. O roqueiro cabeludo fazia piadinhas sobre a diretora e muitos davam risada enquanto a Raimunda dava seu famigerado sermão, o qual disseram para me acostumar…
É verdade! Se quisesse continuar por ali, era melhor ouvir os conselhos dos mais experientes.
Risinhos durante o Hino Nacional e depois liberados! Minhas perninhas agradeciam!
Só tivemos aulas até o intervalo… ufa, ao menos sobrevivi ao primeiro dia!
Hoje mesmo eu ia rever meu pai depois de anos omisso.
Bem, não tenho lembranças significativas dele… só me recordo que minha mãe e ele se divorciaram quando eu estava completando um ano e que agora ele está casado com uma mulher chamada Helena, alguém que minha mãe detesta.
Notei que a Helena não foi muito com a minha cara, mas de qualquer forma terá de me aturar enquanto minha mãe está viajando.
Agora há pouco meu pai chegou do trabalho, nós conversamos sobre a escola e ele me veio com aquela com aquelas frases imbecis:
“Como você cresceu!”
Me deu uma vontade de dizer:
“Não, paizinho, eu encolhi!”
Ele nem sabe o dia do meu aniversário e incontáveis vezes ele ou ligou no dia 18 de novembro, ou 17 de outubro e até mesmo 17 de dezembro se esquecendo de que nasci no dia 17 de novembro. Parecia que era de propósito…
Percebi que apesar de toda simpatia e gentileza, Felix (assim que ele se chama) não se sentia muito à vontade ainda mais agora que será pai de um filho da Helena.
De tantas indiretas que dei, ele me deixou falar com minha mãe, mas não por muito tempo porque a cada um minuto a Helena ficava dando algumas indiretas e para não criar confusões, desliguei o telefone e resolvi escrever um pouco.
Estou com saudades da minha mãezinha e também com um pouco de medo do que irá acontecer amanhã, mas pior do que enfrentar a vida é não a enfrentar e eu não sou nenhuma covarde, não…

sábado, 3 de agosto de 2013

Eu é que mando nessa porra, mano.

Oieee pessoas, visitantes que nunca nem sequer se manifestam... Nem dá pra acreditar que essa bagaça escrota que começou sem pretensão alguma já vai completar 4 anos... PQP mano, nem um brinde pra esse feito? Chego a rachar o bico quando passo aqui... Muito bom ver que em 4 anos a gente já passou tanta coisa, já pirou, riu, chorou, tropeçou, mas levantou... O ciclo da vida se faz presente nas nossas atitudes... Deixo uma poesia da mamãe Mary aqui pra vocês, seus fantasmas... Desconsiderem aquele lance lá da webemissora... A SIMPLESMENTE TITA SOU EU, PORRA...

A história que a novela da tarde nunca narrou
Por: Mary Princess

Esquecida no meio da multidão
Levanta a mãozinha e não é vista
Papai Noel nada trouxe no Natal
Será que se comportou tão mal?

Todos correm quando se aproxima
Apenas quer brincar um pouco

Cada um desses cortes abertos
Representa a ferida não estancada
As lágrimas jamais enxugadas

Os anos em vão sem realizações
Os sonhos que morrem de desgosto
Num planeta repleto de proibições

Palavras não mudam a história
Se o tempo jamais a pertenceu
Pra que viver do ontem?
Se somente os dias seguintes
É que trarão as respostas
Ao que de direito é seu

Roubam a alegria, não o dom
A canção que toca no coração
A mesma que todo dia faz
Os dias de luta serem melodia

É difícil reaprender a sorrir
Ainda mais quando se sabe
Que o profundo resplandecer
Vai ofuscar todos aqueles
Que tentam desmerecer

E ela ainda finaliza dizendo
Com um surpreendente otimismo
Que tudo ficará bem no fim
E ela paga para ver que sim.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ooooi amores do meu coração...

Fantasminhas camaradas ou não, aqui quem dá sinal de vida é a Tita.
Siiiiiiiiiiim!A sem noção, a joselita, a doidona que o (a) faz gargalhar alto com minhas confissões nada comportadas no fim de 2009/início de 2010. Pois é, né, gente, dei chá de sumiço nesse bloguinho black and pink porque a Mary (minha mamãezinha do s2) ta cuidando de outros projetos, mas isso não quer dizer que DDP vai ficar às moscas não, gente. É só ter calma... :D
Agora a bola da vez é Confissões de Laly, por sinal, minha novela FAVORITA. Ah gente, não custa nada passar lá no E-Novelas e dar uma lidinha, viu?Garanto que você não vai se arrepender por ter clicado, amooorzinho.
Sabe, to menos revoltada que antes, mas o modismo ainda me enoja pra caralho. Hoje em dia ando de skate e to me curando de um mal silencioso que atinge muitas garotas como eu, a temida e controversa anorexia nervosa ou anna, como preferir. Meu humilde bloguinho não faz apologia a esse transtorno alimentar porque eu sei (e a Mary também sabe) que essa doença mata mesmo, é muito mais perigosa do que se pinta por aí, então a molecada tem que se ligar, se valorizar e não cair em papo de abutres existenciais, pessoas que quando sabem do seu potencial e por isso mesmo tentam fazer com que você acredite não ser o bastante pra chegar lá.
Não entende o que estou querendo dizer?Um dia você vai saber e espero que não seja com dor...
Bom, em miúdos você conferiu a minha visão sobre a primeira temporada de DDP e em breve, assim que a Mary conseguir conciliar tudo e o pc dela colaborar, postarei o restante da história... Enquanto isso visitem Confissões de Laly que mesmo no seu segundo capítulo já está pegando fogo...
E é isso, galera. Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiii...

http://www.e-novelas.com.br/?q=webnovela&id=11843

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

E num clima de descontração e emoção chega ao fim o melhor ano letivo de todos...

Curitiba, 27 de Novembro de 2003.

Hoje as emoções variaram consideravelmente...
Brincadeiras e lágrimas fizeram parte do último dia de aula.
Chegamos no horário de sempre e já encontramos a Ana Carolina ficando com o menino que tava afim desde o começo do ano. Ficando não, eles estão namorando.
Até a chata da Eugênia tava legal e os que estavam lá organizaram a sala. Como o Gui ficou responsável pela parte do som, optamos em colocar um pouco de cada ritmo musical pra não permitir que a intolerância estragasse o nosso último dia juntos.
A Andrea e a Julia cuidaram dos doces, o Dico e o Cadu encheram as bexigas, o Ricardo trouxe o bolo, a Paloma trouxe os salgados e lá por umas 10 horas a sala tava lotada...
Um povo ficou responsável pela organização das carteiras, outro pra limpeza e todos puderam contribuir de alguma forma pro fervo.
Essa festinha ía rolar de qualquer jeito, todavia faltava só o sim da Raimunda que veio ontem.
O Ricardo deve ter comprado o bolo com a arrecadação que fizemos durante o mês todo e ah, dá uma tristeza pensar que no ano que vem vou estudar com outras pessoas e que nossa galera vai acabar porque cada um vai pra um canto diferente... :/
Cada grupo fez a revelação do amigo secreto começando pelo Gui que pegou o Rodrigo e zoou dando a ele um cd de heavy metal, mas daí falou sério e entregou o presente de verdade.
O Rodrigo pegou a Morgan( ganhou um bracelete) que pegou o Cadu e deu uma miniatura do Ozzy Osbourne.
O Cadu me pegou e me deu um caderno todo customizado com fotos da turma e quando o abri a primeira assinatura era a do Adalberto. Chorei...
Eu peguei o Gui e dei um casaco do Nirvana o qual ele vestiu na hora. Ele pegou a Ju e ofereceu uma lingua de sogra pra brincar, porém ela ganhou 3 bandanas( preta, vermelha e preta com detalhes coloridos).
A Ju pegou a Paty e deu a ela uma blusinha bem do jeito que ela queria e a Paty pegou o Ricardo.
Pra sacaneá-lo, embrulhou uma caneca do Atlético e o entregou...

"Puta, que sacanagem, hein?"

"To zuando...toma aqui teu presente, porquinho..."

Eis que chega o mais fanático dos Atleticanos e zoa com o Ricardo:
"Não sabe torcer, cara..."
"Ah meu, olha quem fala..."
"Quer pra você?" - a Paty perguntou
"Já era..."

O guri saiu feliz como se tivesse erguido a taça do campeonato brasileiro pelo seu time... :p
Rolou bagunça e depois choradeira compulsiva. Coitados dos meninos...
Resolvemos deixar as carteiras no clima de festa porque achamos ser os únicos, mas todas as turmas estavam fazendo festerê.
Só varremos a sala, jogamos os lixos fora e muita gente levou refri e comida pra casa.
Quando estávamos saindo do portão, somos abordados por granjas inteiras. Haja plantação de trigo...
Sabe o que isso me lembrou?A primeira noite em que passamos em Guaratuba e zoamos na picape do seu Geraldo...claaaaaaaro que entrei no clima...
O povo do terceirão se pintava com tinta guache e saía jogando papel higiênico em todo mundo, nas árvores, nos carros e dá-lhe ovo, catchup, mostarda e trigo...
Da quinta série ao terceiro ano não tinha um ser que não estivesse se divertindo ali naquela bagunça coletiva em frente a instituição de ensino que passamos nove importantes meses deste ano.
Nem na última semana de aula a Raimunda deixa de ser marrenta e vem lá na frente berrar, pedir pra cessar a algazarra, mas nossos risos gritos abafaram a voz dela que (bem-feito) levou tanta ovada que deve ter estragado o cabelo liso. Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Ainda bem que tiramos muitas fotos da festa e o Ricardo, mesmo levando ovo e trigo na cabeça, registrou quase tudo. A Morgan também...
Naquele 17 de fevereiro achei que não sobreviveria mais que dois ou três dias e hoje, 27 de novembro, olhando pra trás sinto saudade até dos dias tensos.
Foi por aqui que deixei mesmo de ser criança e vivi todos os meus grandes amores, fiz amigos e inimigos, soube a sensação de quase repetir de ano, de brigar pra valer, matar aula, perder o medo e joselitar, depois me arrepender, mas lembrar de tudo com um carinho especial.
Quem diria que seria neste colégio que eu viveria o melhor ano letivo de todos...

PENSOU QUE É O FIM???

Terceirão a vista :D

Curitiba, 27 de Novembro de 2003.

PAAAAAAASSEEEEEEEEIIIIIIIIII!!!
O Dico ficou pra final em quase tudo, o Cadu pegou final em História, o Ricardo também; a Paty passou direto e o Gui também, mas ficou todo se fazendo.
Íamos de sala em sala ver nossos resultados e até fiquei emocionada porque os profes comentaram que me esforcei tanto que mereci as ótimas notas que tirei.
VIU, 'senhorita' HELENA?AGORA ENGOLE O QUE FALOU DE MIM, SUA VACA!
Amanhã não tem nada, mas nossa turma já se organizou pra fazer uma festinha de despedida e fomos pedir permissão a Raimunda, que já envolvida pelo clima de Natal, permitiu.
Nem acredito que já estou de férias, cara...
Eu já tava me dando como reprovada e me imaginei tendo que estudar com a pirralhaiada do primeiro ano...aff...bate 3x na madeira...

Certezas à parte

Curitiba, 26 de Novembro de 2003.

Hoje foram realizadas as duas últimas provas e amanhã vamos ficar sabendo do resultado porque a partir da segunda-feira vai rolar a recuperação anual e no dia 08 é o conselho de classe.
O Dico tem quase certeza de que ta reprovado e ta frito porque a coroa dele nem sabe...
Eu to igual ao Dico, porém sendo pressionada pelos pais a passar porque senão vou apanhar de cinta até minhas costas ficarem em carne viva.
O Cadu ta passado, mas fica se fazendo e o Ricardo também...
A Ju, de qualquer forma, já ta de férias a uma hora dessas.
A Paty ta bem sossegada e o Gui falou que nem se estressa por causa de nota.
Hoje, depois das provas, resolvemos fazer um amigo secreto, então acordamos a Julia pra ela vir até o colégio participar do sorteio.
Fui pra casa e fiquei pensando no que meu amigo secreto poderia gostar, então peguei meus trocados e saí por aí pra dar uma espairecida (merecida, por modéstia parte), olhar as decorações de Natal e voltei pra casa lá pelo final da tarde.
Amanhã vamos ver quem é que vai entrar em férias e quem é que vai ter de passar mais uma semana acordando 06:00 da manhã...

Até o limite

Curitiba, 25 de Novembro de 2003.

Ando chorando por qualquer coisa que me dizem, cara. Será que estou bem?
Tudo bem, sempre fui conhecida por ser chorona, mas ultimamente to chorando até demais da conta e a Helena já descobriu que não estou menstruando.
Ainda bem que não tenho namorado (e mesmo que tivesse, não vivo de sexo) porque senão já estariam metralhando o coitado...
O pai e a Helena falaram que eu tenho que parar com isso(???) porque é loucura eu tentar combater uma barriga que, conforme eles, só existe na minha autoimagem distorcida...
Como se eles pudessem saber o que sinto de verdade...

Semana de provas

Curitiba, 24 de Novembro de 2003.

Desde quinta to afogada em livros.
Minha rotina no fds foi acordar e já ir estudar; almoçar e dar uma desculpa pra me exercitar (caminhar uma hora pelo bairro) porque disse aos meus pais que caminhar 60 minutos depois do almoço faz bem para o raciocínio, porém ando passando mal toda vez que faço isso: meus joelhos doem, tem horas que a tontura é tanta que vejo tudo escuro e meu coração chega a doer, me falta o ar e eu acho que vou morrer.
O problema é que continuo gorda, parecendo uma baleia... :/
Hoje tivemos prova de matemática, física e química. Amanhã é a vez de biologia, geografia e história; quarta temos português, inglês e sociologia.
Só passei mesmo em Educação Física e ufa, já entreguei os trabalhos... :)

Puta, que merda!

Curitiba, 20 de Novembro de 2003.

Neste fim de semana to proibida de sair de casa porque tenho que estudar pras provas, então vou sumir por uns tempos pra ver se garanto pelo menos o conselho de classe. :p
O pai e a Helena falaram que se eu reprovar, vou apanhar porque, segundo eles, minha obrigação é só estudar e nem isso eu faço direito.
Puta, que merda!

Até o ano ruim no fundo é bom

Curitiba, 19 de Novembro de 2003.

As aulas vão acabar meesmo na semana que vem. Isso pra quem passou por média...
Aula propriamente dita já não temos mais porque agora ta chegando a época das provas finais e na classe é só bagunça, pegação e até um certo clima de nostalgia... :/
O Ricardo vai fazer terceirão, o Rodrigo ta de recuperação em quase tudo, a Ju foi expulsa; a Paty nem sabe se vai continuar estudando, o Gui vai estudar à noite e o Cadu também, então acho que nossa galera vai mesmo se separar.
Poxa, que tristeza, cara!Quando enfim encontro uma turma pra me identificar, pirar, me fazer conhecer profundamente o significado de amizade, o ano acaba...
Acho que deve ser só na nossa turma que pagodeiro e roqueiro se entendem bem...
Estamos aproveitando tudo que podemos enquanto estamos juntos. Claro que prometemos manter contato, ser amigos pra sempre e tals, mas sei que no ano que vem outro grupo vai se formar e tudo vai mudar.
Nas duas primeiras semanas de aula foi o maior festerê e todo mundo falava com todo mundo. Depois do carnaval as panelinhas se formaram e era a maior empolgação na hora de formar os grupos pra fazer trabalho. Até aí, nada de novo.
Antes da Páscoa, as panelas estão brigando entre si e a panela de pressão está prestes a explodir... o lema agora é salve-se quem puder...
Clima de brigas e indiferença e então algumas turminhas se desfazem, outras ganham novos integrantes e as férias de julho chegam...
Depois do descanso do frio vem os bimestres da marmelada. Todo mundo que vadiou no primeiro semestre agora que ser o melhor aluno da classe e os interesses mudam. Sem que percebam, outro grupo já se formou há algum tempo e é ao lado dessas pessoas que nos divertimos e apesar das divergências, a tolerância que só é possível ser exercitada através da paciência e da convivência diária, nos faz enxergar bem além da fachada.
Quando vem feriado é um alívio e ao mesmo tempo uma tristeza porque apesar de às vezes bater aquela preguiça mortal de ir ao colégio e aguentar os malas da classe (sim, toda turma tem!), os amigos colorem o sol nas manhãs nubladas e o mau humor logo vai embora.
Além do mais, se não dá pra viajar, que graça tem o feriado, afinal? (pelo menos pra mim)
Acho que agora mais temos aula vaga do que nunca; daí ou ficamos na sala jogando conversa fora e o afamado stop, vamos dar umas voltas pelo colégio, sentamos no 'nosso' canto no muro e ficamos observando os carros passarem, os transeuntes e batemos mais papo ainda...
Só vou pra casa quando o Gui e o Dico vão pro trampo porque quero aproveitar cada segundo desse final de ano letivo que apesar de ruim às vezes, conturbado sempre, não deixou de ser divertido.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

FeLiz AniVersÁriO

Curitiba, 17 de novembro de 2003.

Pai e Helena me acordaram perguntando se eu queria ir mesmo à escola.
Normalmente eu diria não, porém preferi ir porque se ficasse em casa iria remoer a saudade da mamys, do Adalberto e ficaria chorando o dia todo, então me vesti e bora pro colégio...
Quando cheguei ganhei abraço de parabéns de todo mundo, mas o fervo meeeesmo foi no intervalo quando me seguraram e me deram 16 puxões de orelha (8 de cada lado) e cantaram parabéns pra mim.
Quando saímos da sala, o Cadu comentou:

"A gente ia te dar ovada, mas conhece esses 'pé de china', né?"
"Ta feliz hoje?" - a Morgan perguntou

Disse a ela que sim, mas na verdade eu tava com um baita nó na garganta...
A Julia me telefonou pra desejar parabéns e disse que ta fazendo uns 'trabalhos extras' pra não perder as provas, porém contou que vai mesmo ter de mudar de escola, o que é ruim porque no ano que vem nossa galera vai estar incompleta... :/

HAAAAAAAAAAAAAAAAA!PEGADINHA!!!!!!!!!

Na última aula fomos liberados 10 minutos mais cedo e eu me despedi de todo mundo porque disse que ia pra casa.
Desci as escadas no mor sossego, mas ao chegar ao portão, fui atingida por um ovo e depois por centenas deles e era um tal de voa catchup pra lá, mostarda pra cá, farinha na cabeça, entrando por dentro da blusa, batom na cara e até detergente (eca!).
Não dava pra saber quem era porque eram tantas pessoas atirando que eu até fiquei confusa.
Até a dona Julia também tava participando da sacanagem que só teve fim quando a Raimunda saiu do portão e mandou todo mundo pra casa ameaçando dar ocorrência pra quem permanecesse nas imediações do colégio.
Cheguei à casa parecendo uma caloura que cantou muito mal em um desses shows de talento na TV.
Acredita que em vez de brigar a Helena riu?Pois é... não só riu como suspirou de saudades dos seus tempos de adolescente...
Fui correndo pro banho, depois almocei e a Helena me deu um dinheirinho que ela e meu pai juntaram e este era meu presente.
Ela me deixou no centro e disse que minha tarde era pra me divertir, fazer compras, me sentir feliz...
Aproveitei pra visitar minha mãe no cemitério e acendi uma vela, conversei com ela, falei com Deus e não foi só uma oração normal. Abri meu coração e até chorei, o que me fez bem.
Bati perna no centro pra pegar umas promoções e voltei pra casa lá por umas sete da noite.
Estava exausta, diga-se de passagem... :p
Quando papys atende, vejo que a sala está toda decorada do jeito que minha mãe costumava deixar e estão lá meus melhores amigos, as pessoas que estiveram sempre ao meu lado. Revi o Horácio, minha vó (que lamentava não poder ir) e caí em prantos.

"Não mereço isso..."
"Claro que merece..." - papys e Helena diziam
"Esse ano foi difícil pra você, Tita. Agora vá relaxar..."

Fui abraçar minha vó, o Horácio e depois, do nosso jeito zuado de ser, fui falar com meus amigos e a gente foi pro quarto ver o que comprei...
Hoje eu comi pra caramba, mas poxa, se eu não puder abrir uma exceção no dia do meu níver, o que será de mim, hein?
Meu pai deixou a TV ligada na Mano's TV e como tava rolando uns clipes bem legais, ficamos conversando e dançando.
A festa durou até umas 23:00 só por ser uma segunda-feira e o que estraga mesmo é pensar que ainda temos aula até 05/12.
Levei o povo até a porta e fui à cozinha, mas a Helena não me deixou ajudá-la a arrumar nada, então escovei os dentes e vim pra cá escrever, ouvir mais músicas e ver as surpresas que ganhei.
To com tanto sono que dormiria 3 dias seguidos, se pudesse, mas estou tão feliz que vou ter os sonhos mais doces do mundo. :)

Reflexões de véspera

Curitiba, 16 de novembro de 2003.

Vou pensar que amanhã será um dia comum como hoje, assim não vou ficar triste quando pensar em tudo que vem acontecendo nesse ano de 2003.
Poxa, quando lembro de mim há um ano atrás nem me reconheço mais.
Ano passado eu nem dormi de tão ansiosa pros meus 15 anos e olha que eu sabia que nem ia ganhar festa de debutante com valsa nem nada até porque eu não queria mesmo hehe.
Meu desejo era ganhar um Beagle porque sempre amei muuuuito essa raça, sempre me preparei pra ter um cachorro e foi difícil convencer mamys de que o cãozinho traria muita alegria a casa e não incomodaria.
Foram muitas discussões, até que desisti de pedir...
Eis que naquela manhã de domingo sou acordada com lambidas no rosto e o amor é a primeira vista.
O resto não preciso nem dizer...
Meus primeiros dias de quinze anos passei cuidando do Cricri e estudando pras provas finais.
Já estava aprovada e tava querendo ir muito bem nas provas só pra fechar o boletim com notas boas porque mamys e Horácio haviam me prometido que se eu estudasse bastante, iria passar um mês na praia, contudo na última hora ocorreu um imprevisto e tive de me contentar em ver o litoral pela tela da TV.
Nas férias levei o Cricri pra vacinar, ceei no Natal e no Ano Novo com mamys e Horácio, fui alugar uns livros na biblioteca e fiquei esparramada no sofá vendo televisão o dia todo.
Depois que as aulas começaram eu mudei completamente e é até redundante dizer porque tudo que aconteceu está registrado nas páginas anteriores.
Certas coisas eu prefiro esquecer, enquanto outras eu guardo dentro do meu coração como aprendizagem e até com um pouco de nostalgia.
Sei que me arrepender agora e tentar fazer o tempo voltar só vai me deixar mal, então vou nessa...

Happy birthday o cacete

Curitiba, 15 de Novembro de 2003.

2 dias para meu aniversário. :/
Hoje acordei pensando no Adalberto porque sonhei que ele tinha voltado a lecionar na nossa classe.
Agora só resta dizer: foi bom enquanto durou. Foi pouco tempo, foi, mas o bastante pra marcar minha vida pra sempre.
Hoje a família toda saiu pra ir ao batizado da afilhada da Helena, então, como não quis ir, tive de limpar a casa inteira e depois fui ver um pouco de TV. Como sempre, nada que preste, com exceção, claro, da Mano's TV, mas como o pai e a Helena chegaram (eles ODEIAM a Mano's TV), coloquei no jornal e vim pra cá escrever.
Nessas horas eu sinto falta lá de casa, do jeitão diferente da mamys, da nossa relação amor-ódio, da liberdade que tínhamos pra conversar sobre (quase) tudo; dos apelidos engraçados que só ela estava autorizada a me chamar, de ficar esparramada no sofá vendo desenhos, a Mano's TV (mesmo que mamys não suportasse, me deixava assistir); de quando ela me fazia um agrado e SEMPRE era bem quando eu tava precisando muuuuuuuuuuuito...
Sinto falta do colo, do cafuné, da proteção que ela inspirava...
O que me resta agora?Apenas as fotos, aqueles momentos que marcaram mais e eles surgem em sequencia, me perturbam, me fazem querer voltar no tempo e não há nada nem ninguém que possa fazer minha dor parar de incomodar...
Não acredito que esse é o primeiro aniversário que vou passar sem mamys...
Se pudesse, pulava pro dia 18 de novembro logo de uma vez...
Comemorar o que, afinal?Um ano de vida a menos?A perda de mamys?Minha infelicidade no amor?
Foi-se o tempo em que eu fazia contagem regressiva pro dia 17... :/

Quem você menos espera...é quem mais te surpreende!

Curitiba, 14 de Novembro de 2003.

A Julia foi expulsa da escola!
Estamos todos nos recuperando da notícia que veio como uma punhalada na cabeça.
A Ju escreveu todas aquelas bizarrices?Caraca, a vida é mesmo uma caixinha de surpresas.
Particularmente estou mais chocada do que todo mundo porque sempre ficava com um pouquinho de inveja de ela ser toda ajuízada, obediente.
O caderno dela é o mais caprichado, a letra dela é a mais redonda e firme; ela sempre entrega os trabalhos e deveres de casa na data pedida; não fala palavrão (ou pelo menos eu achava que não) e não entrava nas porcagens da nossa galera, mas tudo mudou...
A própria Raimunda veio até nossa classe pedir desculpas por todo e qualquer inconveniente, mas não perdeu a oportunidade de descer o cacete na gente, né?Afinal ela adora fazer isso...
Tentamos fazer a Ju e o Dico se falarem (brigaram, brigaram, mas já voltaram a namorar) ou pelo menos descobrir qualquer coisa do paradeiro da Julia, então fomos até a Andrea e descobrimos que ela ta de castigo e vai ser mandada pra casa da vó pra ficar por um bom tempo.
Quanto as notas, pouco fazemos idéia de como vai ser...

*um dia eu conto com mais detalhes por que a Julia veio pra nossa patota e depois o Rodrigo se arrastou e trouxe o Ricardo junto.

Peças que não se encaixam

Curitiba, 13 de Novembro de 2003.

Hoje não precisamos cantar o sagrado hino, pois a Raimunda encontrou outra ocupação e parou de encher nossas paciências...ufa!
Estranho mesmo foi o fato de a Júlia, que nunca falta, nem ter dado as caras na escola.
Preocupados, fomos falar com a Andréa e ficamos mais alarmados quando soubemos que a Ju veio SIM ao colégio, mas não entrou.
Tem alguma peça nesse quebra-cabeça que não ta querendo encaixar.
Não acredito que a Ju vai arriscar a moral dela perante o colégio todo pra abafar uma brincadeirinha idiota que só aconteceu porque eu, a sem noção mor, ressuscitei a lenda do caderno de confidências...
To muuuuito agoniada...

Tempo de colocar os pingos nos is :/

Curitiba, 12 de Novembro de 2003.

Meu níver é na segunda e eu to tão maaaaal que to cagando e andando pra data.
Estamos em clima de desespero supondo o que Lisa Raimunda será capaz quando descobrir quem se passou por ela.
A Morgan ta susse, mas o Dico, o Ricardo e eu estamos amedrontados e eu, claro, a chorona de carteirinha da turma, me culpo por tudo que ta acontecendo, então o Gui e o Cadu tratam de levar o mau humor embora.
A Julia, cabeça da turma, comentou que quanto antes encerrar esse caso, melhor.
Amanhã mesmo iremos nos reunir pra colocar os pingos nos is...

E agora?

Curitiba, 11 de Novembro de 2003.

Hoje, na primeira aula, a Raimunda retornou a nos encontrar e fez TODOS assinarem uma folha de caderno e a própria iria conferir letra por letra pra descobrir quem foi.
Na última aula ela voltou não muito animada, porém disse:

"Quem fez isso foi muito astuto, não é mesmo?Acreditou que falsificando minha letra e minha assinatura impossibilitaria que eu descobrisse a farsa. Você pode até ser esperto, mas eu sou mais e vou continuar investigando pra saber quem foi e ah, não espere uma simples expulsão não...vai ser a pior punição já aplicada nesta instituição de ensino..."

Ah meu Deus!
De uma coisa eu tenho certeza: NÃO fui eu, mas foi alguém da minha patota.
Não me sinto bem pensando na idéia de ter de acusar meus amigos e nem de imaginar no que irá acontecer caso a punição prometida se cumpra.
Maldita hora que fui inventar de fazer caderno de confidências. Se não fosse por minha culpa, nada disso estaria acontecendo. :/

Chumbo grosso

Curitiba, 10 de Novembro de 2003.

Fim de semana vegetando e chorando muuuuuuito.
Segunda feira de volta às aulas e novamente abraçada pela saudade que certo professor deixou dentro do meu coração como lembrança dos dias mais felizes da minha vida.
Na hora do intervalo me deu uma crise de choro e meus amigos tiveram que me consolar...
Não demora muito pra Andrea chegar meio sem jeito pra devolver o caderno. A Ju, por ser irmã mais velha, já tratou de zoar com ela, mas tudo sempre termina numa brincadeira descontraída.
Depois que a Andrea saiu, resolvi abrir o caderno e uns cinco jegues vem se jogar em cima de mim pra ler tudo junto comigo...

"Eita curiosidade..." - a Morgan comentava

Me recuperei do 'susto' e disse:

"Depois vocês leem. A primeira sou eu porque sou a dona do caderno..."
"A Raimunda assinou?" - Ricardo (leso) perguntou
"Ahn?" - um coro perguntou
"Nada... não disse nada..."
"E mesmo que assinasse seria um puta tédio. Nome: Raimunda, idade: 50 anos; profissão: diretora vitalícia da nossa escola; estado civil: viúva; filhos: Meleca (o inspetor); estilo musical: música de igreja..."
"Tu sabe muito da vida da Raimunda, hein?" - o Rodrigo provocou o Cadu
"Ela é previsível, cara. Não é nem preciso investigar..."

Tocou o sinal e a gente foi assistir a aula seguinte.
Nos reunimos numas 10 pessoas pra ler o caderno e a cada pergunta um burburinho e risinhos, ambiguidade pairando no ar...
Nisso, bate alguém na porta e o profe vai atender: é a Raimunda.
Com cabelo liso ou não, a cara de poucos amigos continuava a mesma e com certeza lá vinha chumbo quente pra nossa classe:

"Esperei passar um pouco o clima das eleições pra ter essa conversinha com a classe de vocês..."
"Agora não dá mais pra tacar bolinha de papel no cabelo dela..." - devaneou o Cadu
"Tadinha, cara. Vocês não prestam..." - brincou a Morgan

O sermão era por conta das péssimas notas da turma e a alta taxa de evasão e reprovação em comparação as outras classes do colégio inteiro.

"Vocês não querem nada com nada, ficam só no oba oba fazendo bagunça, brincando, matando aula e depois acham que a escola é ruim, que a culpa é do professor que só falta, porém isso NÃO é desculpa, pois nem mesmo na época de eleições deixei que vocês fossem afetados perdendo conteúdo e é isso que recebo em troca: completo desprezo por parte de vocês. Não tem UM professor que não venha se queixar da vagabundagem coletiva e é com muita vergonha que venho aqui ver se consigo fazer vocês acordarem pra vida e perceber que o vestibular já é no ano que vem e se as coisas continuarem onde estão, sinto dizer, mas vai ser difícil passar..."

E eu lá tava com cabeça pra vestibular?

"Pô Tita, ta com moral, hein?" -  o Gui disse isso me dando cotoveladinhas
"Oi?" - tava sem entender bulhufas
"Se faz de rebelde e é a queridinha da diretora..."
"Ham?!"
"Olha quem assinou o caderno..." - apontou a Julia

Quando olhamos, tivemos um acesso de riso enquanto a diretora soltava fogo pelas ventas e escrevia a palavra respeito no quadro negro.
Na hora eu sabia que era palhaçada de algum piá babaca pra querer se achar o phodão, porém quando estou entre amigos, entro na brincadeira mesmo:

"Quem não conhece que a compre..."
"E fez questão de assinar por último..." - acrescentou o Gui
"Aaah Gui, já estragou a brincadeira... Vai, confessa que foi você..." - disse

Não era a letra do Gui muito menos do Cadu.  Lembrava formas femininas e não debochava tanto.

"PROFESSOR NÃO É PALHAÇO. SE SEUS PAIS NÃO LHES ENSINAM O SIGNIFICADO DA PALAVRA RESPEITO, VOU ENSINAR NEM QUE TENHA QUE FICAR AQUI DEPOIS DO HORÁRIO...NÃO É POSSÍVEL QUE ESTOU AQUI BRIGANDO COM MARMANJOS DE 16 ANOS... NEM A TURMA DA QUINTA SÉRIE ME DÁ INCÔMODO COMO VOCÊS DÃO..."

As respostas da Raimunda eram bem bizarras e chocantes e nós parecíamos uns 10 retardados mentais rindo lá no fundão da classe...

"A piada deve estar boa..."
"Esconde o caderno...Esconde o caderno..." - sussurávamos nós meninas
"Se a piada ta boa quero rir junto..."

Claaaaaaaaaaro que ela tava sendo irônica, né?

"Guarda o caderno, caralho..." -  Morgan sussurrou um pouco alto demais

Se um olhar de reprovação matasse, hoje papys e Helena estariam mandando meu corpo até o crematório mais próximo de casa.
Bem, o que aconteceu é que a Raimunda pegou o bendito do caderno e mandou nossa patota pra direção.
Levamos um esporro de baixar as cabeças, mas o riso não parava...
Folheava o caderno e suspirava com ar de surpresa com as respostas, ficava boquiaberta e ao folhear novamente e encontrar seu nome por lá, surtou:

"Falsidade ideológica é crime. Sabiam disso, né?"

A história havia ido longe demais...

"Se passar por outra pessoa é crime e dá cadeia, hein?"

Puta, que merda!
Minhas idéias sempre me condenam, mas eu estava com a consciência tranquila porque sabia que mesmo sendo dona do caderno, não havia sido eu que me passei pela Raimunda...

"Quem se passou por mim vai ter que provar que as informações constadas aqui são verídicas..."
"Foi uma brincadeira, diretora..." - Gui só jogou merda no ventilador
"Mas vocês já estão bem grandinhos pra fazer brincadeirinhas idiotas, não é mesmo?"

Sou da máxima: 'Se não tem nada a dizer, fique quieto (a).'

A FDP fez um puta terrorismo psicológico pra cima de nós que até demos uma olhadinha pra janela pra ver se já não tinham alguns policiais à paisana, helicópteros do SWAT, a imprensa em massa cobrindo a prisão de 7 alunos sem noção de um colégio estadual de curitiba.
Nada.
Salvos por um telefonema, porém antes de sairmos, com os cus que não passavam uma agulha, a Raimunda frisou bem seu castigo:

"Mas não pensem que não vou até as últimas consequencias pra descobrir quem fez essa brincadeirinha de péssimo gosto, diga-se de passagem..."

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quando eu acho que já vi de tudo...

Curitiba, 07 de Novembro de 2003.

Hoje tinha aula com o bruxo (profe Edu).
Só de pensar me dava uma raiva tão grande.
Cadê a euforia da semana passada?O Adalberto levou com ele pra nova escola, pra outra Tita sortuda, enquanto eu vou ficar chorando pitangas pra sempre.
Mergulhada em dores e suposições, certa de dias incertos e tão triste que nem sei descrever.
Como o horário mudou de novo nesta semana, nossa aula vaga ficou pra quinta aula e a quarta era adivinha com quem...
O caderno ta nas mãos da Andréa e na segunda volta pra mim...
Cara, quando bateu a sirene pro intervalo, fui pra ala do primário e me sentei numa escadinha perto da cantina onde resolvi ficar em silêncio e fora da vista de todos, podia pular o muro sem mais problemas.
Quando to lembrando duma coisa boa, eis que toca a música que me lembro do Adalberto...
Chorava tanto e quanto mais chorava, mais vontade dava.
Tocou a sirene e eu, que deveria ser ágil pra pular o muro, não conseguia sair do lugar porque estava soluçando.
Tentei respirar fundo, pensar em algo legal, mas nada vinha a mente a não ser a saudade dele.
Depois de um tempão a Carmen, que errou de ala, me reconhece e quando a vi, já pensei:

"Já to mal e ainda vem a velha pra me dar mais sermão..."
"Que foi, menina?Por que ta chorando?"
"Nada..."
"Ninguém chora por 'nada', menina. Que foi?"
"Eu to bem... não.. não precisa se preocupar..."
"Se estivesse tão bem quanto diz, não estaria aí rompendo em prantos, soluçando..."

Eu jamais imaginei que um dia a Carmen estaria chorando comigo, mas aconteceu.
Me senti mal por tê-la julgado mal o resto do ano...e saber que a mulher gosta tanto de mim...
Ela me disse que sempre pegou no meu pé porque, segundo ela, sou boa aluna e confessou que quando disse que queria ser professora de história, ficou lisonjeada e não quis demonstrar.
Me contou que não quer dizer que só porque o Adalberto saiu da escola que temos necessariamente de parar de se falar e até deu apoio pra sermos amigos...
Não contei que estou amando o Adalberto, mas falei da falta que ele ta fazendo...
Ela me disse que ia guardar nossa conversa em segredo e até prometeu não contar ao Edu que matei a aula dele, pois soube hoje que ela é mãe do Edu e vó da Julia, o que explicar por que Ju e Andréa nunca entravam nas nossas zueiras.
Acho que é hora de parar de fazer pré-julgamentos das pessoas e passar a conhecê-las melhor antes de fazer palhaçadas e colocar apelidinhos babacas.
Ela me levou pra tomar um copo d'água com açúcar e me deu um abraço de mãe, o que me fez parar de chorar e assistir o final da aula do bruxo, ou melhor, professor Edu.
Foi difícil não ficar triste, mas quando o profe me tratou com a sincera dignidade de sempre, me convidou a sentar e confessou que sentia muito pelo Adalberto, percebi que se preocupavam comigo.
Meus amigos já foram ver se eu tava bem e ficaram fazendo mil perguntas e tals. Revelei a eles o lance da Carmen só que esse segredo é da turma e ninguém além de nós pode saber.
Pra tentar me fazer rir, o pessoal, até a Júlia, começou a me lembrar do dia da lista de nomes, da Raimunda dando sermão e escrevendo no quadro, a bola de papel que ficou grudada no cabelo dela e muitos outros micos porque eu tava absolutamente melancólica.
No fundo imaginei como seria se o Adalberto estivesse aqui e pensei como pode ser alguém mexer tanto com você em menos de um mês?Só pode ser amor mesmo...

Difícil não pensar

Curitiba, 06 de Novembro de 2003.

Faltei aula hoje porque inventei que tava morrendo de cólica.
É mentira, pois faz tempo que não menstruo... nem faz falta mesmo...
Ando chorando tanto que até to com náusea, por isso fiquei vendo a Mano's TV só pra tirar um pouco a angústia, porém nem mesmo eles me fizeram rir.
Sabe quando por mais que a piada seja engraçada você não consegue rir?To bem assim.
Acho que esse não é mesmo meu ano.
Queria escrever uma poema, uma canção e até tenho inspiração, contudo não tenho força.