Infelizmente a Morgan faltou e o clima entre o Cadu e eu estava tão insuportável que não me sobrou outra alternativa a não ser conversar com ele no intervalo.
Preciso admitir: esse silêncio estava me consumindo aos poucos.
"Cadu, podemos conversar?"
"Claro, Tita. Você ta bem?"
"To e não ao mesmo tempo..."
"Hum?"
"To bem, mas preciso conversar sobre nós dois..."
"Sei..."
"Não dá mais, Cadu. Desde aquele dia a gente mal se fala..."
"É, Tita, eu também não to tão bem assim... é foda você querer tão bem uma pessoa e pra ela o que rolou não passar de um acontecimento sem importância..."
"Você queria que eu me apaixonasse por você?, Cadu?Pensou que me beijando tomaria o lugar do Gui?"
"Sei que nunca vou tomar o lugar do Gui, mas..."
"Mas é a impressão que você ta me passando..."
"Não é isso, Tita, mas depois do que houve você mudou comigo..."
"Foi você que mudou comigo..."
Nossa amizade, definitivamente, já não era mais como outrora.
Perguntei por que ele faltou a aula na sexta-feira, mas não obtive nenhuma resposta e a essas alturas meu sangue tava fervendo:
"Acho que nós fomos longe demais, Cadu... Juro por Deus que não queria que estivéssemos discutindo por um motivo tão bobo quanto esse..."
"Bobo?"
"Calma, Cadu, me deixa terminar de falar..."
"Tudo que eu te disse até agora não passou de uma 'bobeira'?"
"Não é isso!Me deixa falar, por favor!"
"Fale então..."
"Você ta confundindo as coisas, Cadu. Nosso lance é só amizade!"
"Eu não consigo te enxergar como amiga e isso ta rolando desde o dia em que te conheci..."
"Não, Cadu..."
"Não por que?Se eu te olhei de primeira e já soube que era você. Toda vez que te via com o Gui, sempre me imaginava no lugar dele pra poder experimentar seus lábios delicados e doces e sempre esperei o momento certo pra ficar com você e saiba que eu quis passar mais tempo com você pra poder me fazer notar, o que não aconteceria jamais se você e o Gui estivessem juntos..."
Essa revelação me fez explodir e gritar um monte, mas ele também pediu porque dava impressão que estava implorando pra eu ficar com ele.
Me odiei por estar agindo com tanta frieza e indiferença a quem sempre quis também, contudo ao mesmo tempo queria trucidá-lo por confiar tanto nele e depois descobrir que toda bondade tinha segundas intenções.
"Não sei se a gente tem mais nada pra falar, Carlos Eduardo..."
"Olha Tita, eu acho que não me expliquei direito...olha..."
"Eu não quero olhar nada... não quero mais falar nada com você..."
"Poxa..."
Dei as costas e fiquei andando sem rumo pelos blocos até encontrar com a Pati, com quem fiquei conversando até a aula começar pra valer.
O Cadu nem ficou pra assistir as últimas aulas e às vezes, quando paro pra pensar na discussão, ou melhor dizendo, enquanto repasso a briga, penso que talvez tenha sido muito enérgica e em contrapartida me odeio por ter acreditado que ele realmente era meu amigo.
To aqui mofando de tédio na aula da Carmen e entre uma anotação e outra estou desabafando aqui, trocando bilhetes com a Pati e com o Ricardo.
Sei que perdi o Cadu, mas foi ele quem decidiu assim...ops, bateu o sinal!
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