Curitiba, 05 de Outubro de 2003.
Aaaaaah que domingo mais melancólico.
Me diz: quem é que consegue ficar feliz sabendo que tem um monte de lições pra fazer, hein?
Acho que só a metidinha da Andréa consegue porque eu mil vezes preferia estar de férias, curtindo um sol em guaratuba ou quem sabe Itapoá...
Apesar de tudo, sinto muita falta daquele feriado de carnaval...
Será que teria feito muita diferença na minha vida se eu não tivesse burlado a lei?
Bem, eu sempre penso o seguinte:
Se eu tivesse ficado em casa, teria de fazer todos os deveres, trabalhos.
Some a isso o puta tédio em que a TV me deixaria porque todos que são brasileiros sabem que no carnaval TODAS as atenções se voltam exclusivamente pras seminuas desfilando nas escolas de samba e mais nada...
Eu, que sempre odiei carnaval, fico deslocada...
TERIA SIDO UMA MERDA MERDOSA...
Se eu tivesse ido e EU fui à praia, passei dias incríveis com o Gui, a Paty, o Ricardo e (infelizmente) a Vanessa PP, mas mesmo depois de todos os infortúnios, prefiro lembrar da Vanessa zoando no mar, me ajudando a colocar o piercing e me fazendo perder um pouco da minha timidez me fazendo dançar axé no meio do povão.
No começo eu fiquei com um baita medo e senti vontade de fugir e voltar pra Curitiba, o que não resolveria muito minha situação e mesmo com uns passos ridículos nem vi o tempo passar.
Quando lembro da curta viagem pra Itapoá a qual nem citei porque fiquei tão grogue que mal conseguia segurar a caneta na mão, sempre choro, mas agora que não estou 'drunk' nem chorona, vou contar tudo sem papas na língua.
No domingo à noite, depois da sessão de maconha e birita, estava andando torta na rua, falando merda como se fosse a coisa mais normal do mundo e a Vanessa me faz um convite:
"Quer ir pra Itapoá?"
"Mas Itapoá é longe pra caralho...vamos como?"
"Eu me viro..."
Normalmente eu seguiria a Vanessa, mas com receio do minuto seguinte, porém a embriagez levou embora todo meu bom senso e lá ia eu pular atrás de um caminhão de banana e seguir pra Itapoá.
No caminho eu bem que tentei ficar quieta, contudo a Vanessa, vez ou outra, ou peidava alto ou fazia alguma careta bem sinistra e eu ria até doer a barriga.
Quando chegamos ao destino final, a Van já foi correndo abraçar uns amigos e, é claro, me apresentar.
Prontos pra continuar lendo o restante?
Era uma festa boa pra caramba: som alto, música de ótima qualidade e muuuuitos, mas muuuuuitos meninos bonitos e TODOS livres ou cometendo 'adultério', o que não vem ao caso...rsrsrs
O cheiro de maconha deixava a população alucinada e enquanto a Vanessa se trancava em um quarto com três rapazes(não me pergunte mais nada, pois não sei), eu passeava pelo duplex.
Jamais fiquei sabendo quem era o dono da casa nem da festa e pouco me importava se fumar maconha era errado; se beber feito louca era prejudicial...
Naquela hora eu nem lembrava que namorava o Gui e que alguns dias depois voltaria a ser a velha e chata Tita de sempre...
Quando ia pra sala novamente esperar a Vanessa sair do quarto, sinto alguém me cutucar bem de levinho nas costas e quando me viro, dou de cara com um menino perfeito.
Parece que Deus caprichou pra desenhar aquele garoto.
Cada milímetro dele fazia meu coração bater disparadamente e meu corpo ficou mole quando ele sorriu pra mim. Isso NUNCA aconteceu antes...
Ele perguntou se eu tinha namorado e eu inventei que não porque não vou mentir não: fiquei mó de cara pelo fato do Gui ter ido embora pra ficar ao lado da Andrea.
Ele também disse que tava solteiro (o que pode ser mentira ou meia verdade, o que dá no mesmo ou já não importa mais agora) e a gente se beijou pra valer mesmo no sofá da sala.
Cheguei a ter falta de ar e prazer de sobra...
Ele tava tirando a camisa e desabotoando a calça jeans, mas a anta aqui tinha que estragar tudo dizendo que era virgem ainda.
Ficamos só nos tocando, nos beijando e aquelas sensações tórridas me perseguiam.
Se eu tivesse chegado mais longe naquele dia, com certeza guardaria ótimas recordações porque até hoje só duas pessoas me fizeram ficar 'assim': ele e o idiota do Cadu (que deprimente :/).
Nem pude dar tchau pro gatão porque o perdi de vista. :/
Poxa, como pode ser isso?Depois de tanto tempo lembrar de alguém e ainda me sentir 'sufocada'?
Tem gente que você sabe nome, endereço, CPF, nome do cachorro e pah e nem sequer marca sua vida e há aquelas que nem ao menos você sabe nada e as lembranças mexem tanto?
Depois de uma quase primeira vez, a Vanessa e eu saímos com três rapazes e nós todos fomos a uma lanchonete e lá também tava rolando som alto, pegação e birita.
Rolou mó troca-troca: Van e gatinho 1, gatinho 2 e eu, Van e gatinho 2, gatinho 1 e eu, gatinho 3 de vela e depois gatinho 1 de moita; gatinho 3 e eu e gatinho 2 continua na van; gatinho 2 na velinha agora; van e gatinho 3 e gatinho 1 com gatinho 2...depois van e eu...depois só os gatos; depois só eles e eu; depois só eles e a van e por fim um beijo coletivo.
Foi um tal de esfrega-esfrega, rela-rela, saliva com saliva, uma baita pegação literalmente geral.
Haja fòlego e língua pra tanto beijo, mas que foi bom, foi e eu repetiria se pudesse...
Naquela madrugada ninguém dormiu porque foi beijo e conversa jogada fora; bebe e fuma e a areia fofinha da praia de Itapema foi nossa testemunha...
Ela assistiu a putaria e prometeu guardar segredo até porque se meu pai e a Helena souberem, me matam e servem minhas tripas aos cachorros de rua, mas duvido que na época deles também não rolou muita 'travessura', hein?Ou agora eles vão dizer que são santos?Poupe-me...
Ah, até já me esqueci do tédio e vou torcer, mas torcer muito, pra um dia rever o gatinho beijoqueiro...
Bem que ele podia mesmo estar solteiro, né?hahaha até parece que ele vai se lembrar de mim?
Se a farra daquela noite representou algo pra ele, do meu beijo ele jamais esquecerá.
Agora preciso mesmo voltar pras matrizes e pros determinantes... :/
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
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