quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Acabou o que era doce

Curitiba, 05 de Março de 2003. (quase dia 06)

Acabaram os agitos de carnaval. ;/
Este foi, sem sombra de dúvida, o carnaval mais incrível da minha vida. Quando tiver meus filhinhos vou contar de peito estufado as minhas aventuras lá em Guaratuba.
Cheguei à casa e quem me atendeu foi minha mãe. Mal a porta foi aberta e eu levei um tapão daqueles na cara.
"Que deu em você, mãe?"
"Mentirosa... Pensou que ia me enganar, sua sem vergonha?" - resmungou enquanto fechava a porta e vinha em direção a mim
Fingi que não sabia do que ela falava.
"Como é que é, mãe?Não sei do que você ta falando..."
Me sentei no sofá e abracei minha mochila.
" O Felix e a Helena viram você fazendo a maior bagunça em Guaratuba e me ligaram."
"Não acredite na Helena porque ela é uma mentirosa..."
"Não chame a um adulto de mentiroso, ouviu bem?"
"Em quem você acredita: na Helena ou em mim?"
"Você não tem mais credibilidade comigo, Renata. Achei que pudesse confiar em você, mas estava errada. Completamente equivocada a seu respeito."
"Se eu falasse a verdade você não iria deixar..."
"Então, senhorita fujona, conte-me onde esteve..."
Se eu contasse realmente por que bandas andei, a mulher pegava uma metralhadora e fazia picadinho de mim naquele instante.
Omiti metade dos meus podres, comecei a chorar, mas ela estava irredutível.
"Está de castigo. Agora vá pro quarto porque não quero ouvir sua voz senão sou capaz de... nem sei do que sou capaz..."
"Você tem um coração de pedra..."
"Pra início de conversa não sou 'você', sou senhora..."
Fui correndo pro meu cafofo, bati a porta e me atirei na cama. Mamys devia mesmo estar furiosa, pois deu um pé na porta e disse:
"Você ainda não é a dona da casa pra bater a porta desse jeito, ouviu bem?"
Ignorei completamente a presença dela, que fechou a porta com mais violência que quando a arreganhou e saiu gritando pelos corredores aquela frasezinha que toooodos nós ouvimos ao decorrer de nossas vidas:
"Onde foi que eu errei, meu Deus?Onde foi que eu errei?"
Tampei meus ouvidos com as mãos, coloquei alguns pertences nas malas e fui embora.
Finalmente tomei a mais sábia decisão de minha vida: sair daquela prisão.
Minha mãe me tratava como se eu estivesse com 5 aninhos de idade e isso, sinceramente, me deixa com raiva. SERÁ QUE ELA NÃO ENTENDE QUE EU NÃO SOU MAIS MENININHA?
To aqui na casa da Van e me questiono SEMPRE por que não tenho a Ofrásia como mãe. Bem, vou ver se ela e o Arlindo não aceitam mais uma filha, né?
Seria tão legal a Van e eu tocando horror no colégio, fumando nossos baseados, ouvindo o programa do Lindomar todas as noites e caindo nas baladas desta vida.
Até faria o esforço de aprender a curtir axé,pagode e funk. Por falar nisso deixa eu ir porque a Van vai me ensinar a dançar o Melô da Vitaminada...

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