sexta-feira, 30 de outubro de 2009

No que a infância de hoje está se transformando?

Curitiba, 05 de Agosto de 2003.

Tudo continua exatamente igual...
Hoje, na aula de sociologia, o Mr. Dreads trouxe uma matéria de TV para assistirmos e todos nós, independentemente das diferenças, nos chocamos com os (terríveis) rumos que a infância de hoje está sofrendo.
Meninas namorando aos 10 anos, indo ao shopping de salto alto, mexendo compulsivamente no celular, vidradas em computador, extremamente fúteis e consumistas, desprezando brincadeiras que nós, da geração anterior, amávamos.
Boneca é coisa doutro mundo, a moda é ser esquálida igual a protagonista da novela teen.
Elas pintam os cabelos, se preocupam excessivamente com o peso, com uma unha que lascou, se o fulano ta querendo ficar com ela e se ele não quiser, "sou mais eu porque se você não me quiser, tem quem queira."
Será que os bons valores se perderam?Cadê as brincadeiras?Cadê a inocência dessa moçada?
Quando eu tinha meus 8 aninhos brincava de boneca, ficava vendo desenhos legais na TV e quando mamys (in memorian) deixava, eu me encontrava com meus amiguinhos pra andar de bicicleta, jogar bets, brincar de tazo, bater bola e zoar no pega-pega, pique esconde e dar uma roubadinha básica no bafo.
Nós falávamos sobre brincadeiras, dos clássicos que fizeram nossas vidas mais felizes.
Nós íamos a festas de amiguinhos e não estávamos nem aí se a roupa era "fashion" porque o que importava era estar em reunião, comer doce, por que não? e brincar muito, brincar até perder o fôlego e sentir sono.
Nem pensava em beijo, sexo, meninos, virgindade, drogas e balada. Eu conhecia o verdadeiro significado de liberdade e não me dava conta.
Nossa geração foi a última a valorizar a parte mais feliz da vida.
Não sei se fui eu que envelheci muito depressa ou se o mundo evoluiu demais e eu parei no tempo.
A criançada de hoje não tem limites, são meras cópias (mal feitas) dos adultos e se acham grande merda só porque têm seus celulares, roupas e tênis da moda, pois eles podem até saber o preço de tudo, porém não dão valor a nada.
Crianças pequenininhas já falam palavrões cabeludos os quais (infelizmente) aprendi quando fiquei mais velha.
Eles podem até ser antenados, ditarem a moda e acharem que controlam o mundo, mas, interiormente, esses precoces do caralho são muito mais infantis que eu. Continuem antecipando as fases pra ver só... quem procura, acha.
Quando expressei minha opinião, levei um 10 do professor e o povo me aplaudiu.
O Mr. Dreads falou que eu tenho jeito de jornalista, uma ótima dicção e me confessou que não entende por que minhas notas estão baixas. Se ele não entende, imagine eu.
Será que ainda há como reverter a grande tragédia que acometerá as próximas gerações?
Sozinha eu não consigo nada até porque não sei como fazer isso, mas bem que eu queria poder ocasionar uma grande transformação no mundo...
Mesmo longe, queria que mamys sentisse orgulho de mim... ela sim foi mãe de verdade!

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