quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Entre amigos...

Curitiba, 02 de Novembro de 2003.

Ontem a turma ficou passeando e dormiu na casa do Cadu.
Hoje pela manhã meu pai veio me buscar e a gente foi visitar mamys.
Orei por ela, deixei umas flores na lápide e pedi pra ficar sozinha por alguns momentos.
É só pensar naquele mês de Julho e meus olhos ainda enchem-se de lágrimas.
É mais forte do que eu e parece que foi ontem quando me contaram a notícia e eu não tinha forças nem pra cair no chão, protestar que era uma mentira.
Fiquei completamente desolada, perdida, odiei Deus, o amaldiçoei por ter tirado de mim a ÚNICA pessoa que realmente me amou.
Depois pedi perdão, pedi consolo, respostas que pudessem confortar meu coração e então, numa linda manhã de outubro, eis que conheço o grande amor da minha vida.
Será que hoje ele também ta triste por lembrar (relembrar) alguém que não está mais aqui?
Como não quero chorar, ficar depressiva e me culpar, vou contar o que aconteceu na depois da votação.
Sexta feira foi só curtição entre amigos, mas não deixei a dieta de lado não.
Vi brigadeiro, bolo, refri, porém lembrei das calorias e dei meia volta da mesa.
Claro que a dor de cabeça era infernal, então comi um pedaço de torrada sem nada por cima, bebi um pouco de suco e pronto.
Foi bem massa porque pouca gente veio à festa, então deu pra fechar a casa e ir até o cemitério.
Chegando lá só com as lanterninhas na mão, sentamos formando um círculo, em cima de um mausoléu, mais conhecido como a tumba do metal. Só o Gui pra inventar esses points sem noção...
Bem, o próprio Guilherme, antes de começar a contar a primeira história macabra da noite perguntou:

"Têm certeza de que têm estômago pra continuar por aqui?"
"Pô, né?Claro!" - Dico resmungou (abraçado na Julia)
"Tuas histórias nem metem medo, Gui..." - Cadu zoou
"Não quer que eu conte pra Tita que você cagou nas calças no halloween passado, né?Então, shut up."
"Viu Tita, é mentira desse FDP..."
"E essa história começa ou não?" - Morgan se amarra em histórias de terror

Depois do Gui foi a vez do Cadu, depois a Morgan e novamente o Guilherme, como sempre, querendo tirar o primo pra cagão.

"Essa história é de arrepiar, hein?Ta de fralda, né, Cadu?"
"Vá a puta que pariu..."

Os contos não metiam medo nem em criança de 5 anos, mas mesmo assim demos muitas risadas.
A gente caminhou pelo escuro e, é claro, os meninos malas ficavam nos assustando a cada metro percorrido dentro do cemitério.
Justamente eu levei a pior porque gritei bem em frente da casa do coveiro (sem saber, claro) e ele acendeu a luz pra ver o que tava acontecendo:

"Quem que ta aí?"

Foi um Deus nos acuda, uma infinidade de rezas e instintivamente pulamos o muro e saímos correndo que nem loucos pela rua.
O Ricardo, como sempre, desastrado, ficou só de cueca porque, segundo ele, quando escalava o muro, um fio da calça se soltou e sem tempo pra vaidade, não quis vacilar.
Foi um sarro!
Ficamos rindo por horas e fomos dormir lá pelas sete da manhã, acordando as 13:00 graças a um telefonema dos pais do Gui só pra checar se estava 'tudo bem'. E como tava...
Almocei duas torradas e um copo de suco. Depois bora sair mais...
Fizemos um passeio pelo bairro, demos um role no shops...
As minas e eu fomos dar uma olhada nas vitrines de roupas enquanto o Cadu, o Dico, o Gui e o Ricardo foram ver videogames.
A gente se encontrou na praça de alimentação, se reuniu numa mesa e comprou uma lata de sorvete pra repartir em 7 pessoas.
Zoamos com as patricinhas pagadoras de mico, de quem tava passando, de nós mesmos, dos nossos problemas, zoamos do povo do colégio e assim o tempo passou.
O Cadu e o Gui nos convidaram pra assistí-los treinando e a gente ainda brincou nos skates.
Em seguida fomos ao fliperama e dividimos um pacote enorme de salgadinho e refri entre 7, porém preferi beber água e só comi porque meus migos insistiram muuuito.
Com os créditos que ganhei no 'flipe',  peguei umas balinhas e o povo encheu minha mochila de guloseimas: balas, pirulitos, chicletes, paçoca, guarda-chuvas de chocolate e mais coisas gostosas hehe...
Daí ficamos caminhando, pensamos em entrar num barzinho, porém ninguém tem idade ainda (eta pirralhaiada) e voltamos pra casa onde ficamos conversando, ouvindo música, vendo TV.
Só o Ricardo e o Rodrigo pra ficarem que nem uns bestas vendo filme pornô.
A Julia, toda recatada, tava morreeeendo de vergonha:

"Ah Rodrigo, que falta de respeito, cara..."
"To duro já..."

Ela deu uma almofadada nele:

"Você é nojento, cara..."

É, né?Toda turma tem que ter um punheteiro de plantão...

"Depois que você transar de verdade não vai mais achar graça nesses filminhos pra gente virgem..."
"Ah Cadu, vá se foder... Que é isso?O sujo falando do mal lavado?Tu é o maior punheteiro de todos e é bem virgem até onde eu sei."
"Sou nada..." - o Cadu se defendia
"Gosta de mentir em caderno de confidências..."

Pois é, me lembrei de ter assinado muitos, então lembrei que quando era BV respondia que não era porque, sabe, depois que descobrem você vira chacota pros teus amigos.
Achei, no meio dos meus cacarecos, um caderno virgem e resolvi fazer um caderno de confidências o qual levarei amanhã pro colégio e vou fazer todo mundo assinar, aí quero ver.

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