Curitiba, 24 de Outubro de 2003.
Hoje foi níver do Jef e o fervo começou logo cedo...
A Turma do Metal pulou o muro no intervalo pra comprar ovo, trigo, mostarda e catchup, mas eu aproveitei pra ficar conversando com o Adalberto...
Quando to na aula fico contando os minutos pra estar perto dele e apenas com um cumprimento dele, meu dia fica mais ensolarado, mais feliz...
Não creio que em tão pouco tempo consegui gostar tanto de alguém como gosto dele, mas ele, logicamente, JAMAIS poderá saber... Ora essa!Quanta pretensão da minha parte acreditar que tenho alguma chance com o Adalberto.
Ta, voltando a muvuca metaleira, acabando a aula da subustituta da Carmen, a gurizada segurou o Jef e só lá fora o enchemos de sujeira...
"Vocês me pagam, seus merdas...vocês avacalharam..."
A Raimunda fingiu que não viu nada porque mais do que nunca agora 'virou' boazinha pra se reeleger...
Fizemos um racha e comemos esfihas com refri; exceto eu, que bebi água e só comi uma esfihinha de queijo porque o povo me falou que se eu não comesse, iam me fazer comer as sobras...falavam isso como se fosse sobrar um mísero farelo pra contar a história.
Como o Jef ainda tinha curso de computação mais tarde, o fervo durou mais um tempo.
A gente ficou sentado mais ou menos em 10 pessoas lá perto da Biblioteca Pública jogando conversa fora e zuando a campanha da Raimunda.
"Raimunda: a voz do aluno; a voz da revolução..."
O Cadu continuava imitando a diretora e quem passava na rua não entendia muito...coisas da vida...
O Jef teve que ir embora; outro povo foi também e ficamos só o Cadu e eu...
Na hora também pensei em ir embora, mas acho que seria falta de educação fazer isso.
Ficamos algum tempo constrangidos com a presença do outro depois de tudo que aconteceu...
"Vai vir pra aula no dia do teu aniversário?"
"Não sei..."
"Já vai embora?"
"Não...você vai?"
"Não sei...você vai?"
Ao menos a conversa tava fluindo...
"Achei que não quisesse mais falar comigo..."
"Como se eu conseguisse não falar..." - admitiu ele
"Mas não é mais a mesma coisa..."
"Eu não devia ser seu amigo."
"Talvez se tudo tivesse sido diferente..."
"Entende, Tita?Eu fui desonesto contigo porque não revelei desde o início. Eu vacilei desde o começo e tem razão em ficar de cara..."
"É estranho, mas sinto falta de falar com você..."
"Me odeio toda vez que tenho de ser frio contigo...Me odeio por ter agido como um cafajeste, por não ter aberto meu coração antes e eu sei que não é a mesma coisa; sei também que você nunca vai me perdoar e você tem esse direito..."
"Mas o que eu quero saber é se você me perdoa..."
"O que você fez de errado pra ter de me pedir perdão?Que eu me lembre você foi um verdadeiro anjo na minha vida, a menina mais especial que já conheci e morro aos poucos todo dia vendo você definhar e não poder mais te ajudar..."
"Ah Cadu...fala assim não..."
"É sério, Tita!Menina como você tem que ser tratada como uma boneca, com respeito, carinho, amor e o Gui jamais iria te dar tudo isso..."
"Gui?"
"Você gosta dele, não gosta?"
"Não..."
"Não gosta mais do Gui?"
"Ah, por favor...credo!"
"Mas eu sei que tua alegria é diferente. Sei que tem alguém que ta balançando teu coração..."
"Não. - ri meio sem jeito- Claro que não..."
"Ah não?"
É bem capaz que eu vou contar pra alguém.
"Quer que eu te leve pra casa?"
"Não precisa não, Cadu..."
"Certeza?"
"Absoluta!Mas e aí?como é que fica nosso lance?"
"Amigos pra sempre!"
O Cadu diria que esse momento seria muita purpurina, mas nossa amizade é tão forte que até vale a pena pagar um 'mico' desses no centro da capital 'ecológica'.
Agora sim me sinto feliz de novo...
Pode não ser como era antes, mas que vai ser mais forte, ah, será.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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