quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Então a história termina por aqui...

Curitiba, 30 de Setembro de 2003.

Hoje, como o professor Edu não pode vir à aula, a prova da Carmen, que seria na sexta-feira, foi passada pra hoje e o que é pior, em duplas...
A Morgan não veio de novo e todos tinham suas duplinhas formadas, exceto o Cadu e eu...
Num dia normal ele já teria grudado a carteira na minha, me oferecido bala e estaríamos preparando nossos métodos pra colar...
A Carmen olhou pra nós e perguntou:
"O casalzinho não vai fazer a prova, não?"
Um burburinho terrível tomou conta da sala:
"Eu já desconfiava..." - comenta a doida da Pati
Rolou o maior fervo e eu, a essas alturas, já estava com o rosto corado, porém não percebi nada na expressão do Cadu a não ser uma profunda impassibilidade aos acontecimentos.
"Eu não sou namorado dela..." - reclamou o Cadu
"Deus que me livre eu com um desses..." - revidei
"Vocês estão atrasando a prova da turma toda, então formem logo a dupla ou saiam da sala..."
Quando estava arrumando minha carteira, olho pro lado e cadê o Cadu?Saiu da sala!
"Não se importa em fazer a prova sozinha?"
Nem respondi e ela já foi entregando as provas...
Eu estudei durante o fim de semana e respondi tudo automaticamente, só que não me sentia bem...
Parecia que um veneno corroía meu estômago e um nó na garganta me fazia ficar sem ar.
Fui a primeira a entregar a prova e fui andar...
Encontrei o Cadu sentado na arquibancada do campinho de futebol e me sentei ao lado dele, afinal já não aguentava mais esse clima de mal estar entre nós dois:
"Cadu?"
Ele fingiu que não me ouviu e colocou o fone de ouvido.
"Cadu, você ta me ouvindo?"
"O que você quer?" - ergueu a voz
"Por que você ta sendo tão grosso comigo?Eu não vim gritar, nem nada..."
"Então o que você quer?"
"Não aguento mais esse clima tenso entre a gente...Eu quero conversar..."
"Mas você mesma disse que nós não temos nada pra conversar, então se pensa assim, por que ainda ta aqui tentando falar comigo?"
"Nós temos sim o que conversar..."
"Mas eu não quero ouvir..."
"Você não é o mesmo Cadu que eu conheci."
"Você nem sabe quem sou eu, guria. Se não queria ter me beijado, deixasse claro..."
"Eu to confusa, Cadu... eu não sei o que eu quero..."
"Você acha que é só você que ta confusa, pois saiba que estou tanto quanto você e nem por isso fico bancando um mimado problemático pra todo mundo ter pena de mim..."
"O que?"
"Se você ta pensando em vir querer ficar comigo, saiba que eu não quero, ok?Eu não quero ser prêmio de consolação e muito menos preencher a lacuna vazia que o Gui deixou porque eu não sou ele."
"E quem disse que eu quero ficar com você?Quem disse que algum dia eu quis ficar com você?Se quer saber, beijei só pra curtir, mas com você não vale a pena nem curtir, sabia?"
"Idem."
"Ótimo, Cadu!Você ta se saindo muito bem no papel do mocinho magoado, mas não pense que quando a poeira baixar você vai poder vir se desculpar porque não vai... Até hoje eu ainda fazia questão da sua amizade, mas percebi que você nunca valeu minha consideração, então a história termina por aqui..."
Virei as costas e saí de perto dele.
Hoje não consegui fazer mais nada a não ser chorar.

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