Curitiba, 12 de Julho de 2003. (algumas horas mais tarde)
Pela manhã fomos ao mercado fazer as compras do mês e eu, que há tempos estou cogitando mudar o visual, fiquei namorando uma tinta vermelha pro cabelo, mas mamys nem me deixou terminar de falar e já foi logo dando seu verdicto:
"Não vai pintar o cabelo coisa alguma!De vermelho?Ficou louca?"
Passou a mão nos meus terríveis cabelos sem graça e acrescentou:
"Química acaba com o cabelo, minha filha. Você tem um cabelo tão lindo, escorrido, brilhante, cheio de vida. Um monte de mulher por aí gasta fortuna no salão de beleza pra tentar ter um cabelo como o seu e você que tem isso tudo naturalmente, fica reclamando à toa."
"À toa, mãe?Meu cabelo é ridículo, sem graça... Não sei como o Gui ainda está comigo..."
"Se ele é um otário que escolhe menina por cor de cabelo você é otária por se submeter a isso..."
"Não é o Gui, mãe. Sou eu."
Não adiantou chorar, fazer birra nem nada...
"Quando você trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro você faz o que quiser com o seu cabelo, ta?Obrigação de pai e mãe é dar de comer, dar de vestir e bancar os estudos... Gastos extras não estão previstos, por isso pare de birra, Renata. Você já não é mais nenhuma criancinha pra ficar fazendo birra."
Pelo menos consegui ver o Gui na rodoviária.
Quando o reconheci, corri na direção dele e dei um abraço longo com rodopio e tudo.
Abracei o Cadu e fomos nos encontrar com o seu Vanderley.
O Gui me contou tudo que rolou na viagem e notou que eu estava, como diria ele, "revoltada" e perguntou o que "tava pegando".
Quando relatei meu infortúnio, ele deu risada e me disse que uma menina é muito mais que uma cor de cabelo e que ele está comigo por me amar e não por causa de beleza...
Eu sei que os meninos ficam mais alegres quando passa uma loira dos olhos azuis do que quando passa uma menina como eu... :/
Ele só mentiu pra mim porque sabe que se falasse a verdade eu iria chorar...
terça-feira, 27 de outubro de 2009
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