sexta-feira, 16 de outubro de 2009

De tentativas vive esta poetisa...

Curitiba, 03 de Abril de 2003.

Estou na aula da Carmen, mas hoje não to pra História. Sei lá, acordei meio poetisa hoje...

Revivi a lenda do Ceará
viajando com o mestre Alencar
doloroso adeus no fim
Chorei junto com Martim...

De Padre Anchieta a Machado de Assis o profe Edu nos faz amar a literatura.
No momento estamos aprendendo sobre a prosa na época do Romantismo. Já vimos as três gerações da poesia Romântica...
Sei que fiquei encantada com esta escola literária. Se der certo, vou, ainda neste ano, começar a ler Victor Hugo, Goethe, Balzac e Camilo Castelo Branco.
 E um detalhe importantíssimo: nem incluí os diversos outros autores talvez não tão renomados e nem por isso menos bons.
Na Europa os autores românticos se inspiraram nos cavaleiros medievais do passado para criarem o herói. Aqui no Brasil mitificaram o índio, que tornou-se o herói nacional.
Está certo que esse índio não tinha nada a ver com o índio verdadeiro, mas vale a tentativa...
Os livros escritos aqui eram impressos em Portugal e quem tinha acesso a leitura era a burguesia, pois naquela época os romances eram publicados em folhetins.
Foi a predecessora das telenovelas que a mãe de muitos por aí para tudo pra ver.
O mocinho e a mocinha se apaixonam, mas os antagonistas os separam. Os bonzinhos se fodem a novela toda, mas ficam juntos no final e vivem felizes para sempre.
Já notou que toda novela termina com casamento, uma epidemia de gravidez e gente entrando pra desencalhar personagem secundário?
Minha mãe não tem muita paciência pra ver novelas e sempre me diz que posso adquirir muito mais cultura lendo um bom livro.
Ela que o diga, vive devorando um livro atrás do outro...
A maioria das meninas e até alguns meninos consideram às 17:30 um horário sagrado.Justamente a hora em que começa aquela merda que alguns ainda insistem em chamar de novela.
Confesso que quando o sucesso começou e eu via minhas amiguinhas FA-NÁ-TI-CAS por aqueles atores todos, fui ver a tal novelinha e me ENOJEI em menos de 3 cenas.
Até o Cricri consegue escrever algo melhor que aquilo.
Os roteiristas forçam uma realidade muito distante da verdadeira que muitos jovens, inclusive eu, enxergamos e sentimos na pele.
Eles estudam em escola particular, vão pra aula de carrinho importado e da cabeça aos pés vivem na moda.
Quando estão em cena de aula, logo bate o sinal e num piscar de olhos lá estão eles lanchando no cybercafé e indo pro shopping fazer compras.
Eles vivem comendo hambúrguer, se entupindo de refri e chocolate, mas estão sempre em forma.
São adolescentes e não têm espinhas. Os meninos são todos bombadões e as meninas parecem mais uma caveiras humanas encarquilhadas...trintonas querendo se passar por meninas.
Pensam que adolescência é só namoro, beijo na boca, balada, shopping e sexo?
A adolescência é uma fase em que nossos sentimentos mudam, nossos padrões se transformam, os pais deixam de ser nossos heróis, os hormônios ficam loucos e talvez de uma maneira triste, somos obrigados a deixar as brincadeirinhas de lado e começar a pensar mais no futuro.
Aos 16 já podemos votar e aos 18 já respondemos sozinhos pelos próprios atos...
Desde criança nós já lidamos com decepções e tals, mas na adolescência elas parecem doer muuuitissimo mais do que antes.
Um dia eu era uma menininha que brincava de boneca e dormia na hora do jornal. Hoje sou uma adolescente rebelde que dorme nas aulas de História e Física. Isso quando não as mato rsrs.
Tenho mil motivos pra me revoltar enquanto que o único motivo pra indignação desses pseudo-adolescentes é se a mamãe e o papai proibirem o cartão de crédito.
No fim da temporada todo mundo passa de ano sem estudar, entram nas melhores universidades daqui do Brasil e até do exterior porque todo ano é a mesma história.
Quem já viu uma temporada pode dizer que já viu todas. Muda somente o elenco porque o roteiro sem açúcar nem sal e sem pé nem cabeça continua exatamente o mesmo.
Essa porcaria lidera a audiência e no fim da tarde pode acabar o mundo que as crianças e jovens não estão nem aí, contanto que possam ver a idolatrada novelinha...
Não acredito que isso é o que faz a cabeça da minha geração.
Quando eu escrever uma novela para adolescentes, vai passar só depois da meia-noite rsrsrs e se passar, pois acho que seria censurada...
Sei que não entendo nada de literatura nem de novelas, então acho que é melhor eu ficar na minha antes que algum sabichão venha querer me corrigir com a mesma arrogância com que a Carmen derruba nossos argumentos.

*Não me esquecer de terminar de ler o último livro pedido para realizarmos uma reflexão sobre as obras recomendadas pelo profe Edu, uma espécie de reforço para o que nos foi explicado.
**Se a Carmen adotasse o mesmo método do professor Edu, eu, com certeza não estaria aqui devaneando enquanto ela leciona para si mesma...

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