Minhas mãos doem, minhas pernas doem, minha cabeça dói... :/
Hoje as aulas estavam sussas até a hora do intervalo, mas depois dele todos os fatos se tornaram motivos pra nunca mais querer pisar nesta escola novamente.
Agora não é uma briguinha retardada nem um discurso egoísta, mas uma causa mais do que justa para todos nós nos manter unidos...
Maloqueira até a eternidade, a Vanessa veio à aula com uma gripe ferrenha e ao invés de ir ao banheiro assoar o nariz como a maioria de nós (eu acho) faz, a vaca não solta aquele ranho fedorento numa das cortinas do lado direito da sala?
Hoje, devido a chuva, a maioria do povo foi direto pra sala da Paula (a quarta aula foi matemática), mas tava dando nojo ouvir os beijos barulhentos da Cristina e do Márcio, por isso a Turma do Metal desceu e foi fazer fervo lá fora...
O ginásio e nós fazíamos da chuva nossa diversão e a Raimunda nos ameaçava de mandar pra direção.
Quando percebemos que a Raimunda falava sério, nos escondemos no refeitório e ela, achando que tínhamos ido pra sala, subiu pra nos seguir e presenciou a Vanessa escarrando (sim, sim!) na cortina recém-lavada e colocada.
Quando subimos pegamos só o final do arranca-rabo...
O
Eu, no início, me senti culpada por ter zoado na chuva, mas na quarta aula, via bilhetes, é que fui saber direitinho o porquê da revolta da Raimunda...
Sem choro nem vela, TODOS tivemos que ficar independentemente de ter sujado ou não.
O que aliviou um pouco nosso sofrimento foi a chuva ter dado uma trégua na parte da tarde, o que nos possibilitou pelo menos respirar um pouco.
Tivemos que varrer o chão, passar cera e depois encerá-lo para que ficasse brilhante e vira e mexe, a Raimunda aparecia lá pra ver se a gente não tava dando caô nela.
"Agilizem este trabalho, pois quero tudo isso pronto antes das dez e quarenta da noite. Caso contrário, vão permanecer aqui a madrugada toda e de castigo vão ter que realizar o mesmo procedimento todo dia."
O Rodrigo me contou que todas as turmas tiveram de trabalhar.
Lixamos as carteiras e depois tivemos que passar verniz em todas elas.
O Gui se recusou a lixar a carteira dele, que é a mesma há anos. Lá tem todas as pichações antigas e até uns pequenos versos de rock gravados na madeira.
Foi um pouco triste apagar a caricatura da Carmen da minha carteira, mas minha sorte é que já passei pra minha agenda e desenho bem rapidinho agora.
O pai do Ricardo trouxe comida e alguns utensílios de limpeza pra nos ajudar, por isso nem ficou de cara pelo fato de o Tanguinha chegar atrasado.
Limpamos os vidros e fizemos uma vaquinha pra mandar lavar as cortinas, mas no nosso interior queríamos trucidar a Vanessa pelo que fez.
Assim se foi uma longa tarde de sexta-feira...
Ao anoitecer a chuva voltou e nós estávamos satisfeitos, mas exaustos quando a Raimunda chegou até a porta da sala, tirou o sapato e entrou.
Passados alguns minutos, sai a resmungona aos berros:
"Parece que querem passar a madrugada por aqui, não é mesmo?"
E atira a carteira do Gui na nossa direção. Só deu tempo de desviar...
"Fizeram o serviço nas coxas só pra ir embora, não é?Pensaram que podiam enganar a trouxa por aí, mas vão cair na própria armadilha."
"Tudo por causa de uma carteira?" - a Julia perguntou
"To de pé desde às 05:30 da manhã, quero ir pra casa..." - comentou o Rodrigo
"A gente limpou tudo..." - quis acrescentar
"Fizeram uma limpeza mixuruca e deplorável e enquanto seu amiguinho rebelde não lixar e envernizar a carteira dele, NINGUÉM, ouviram beeeem, NINGUÉM SAI DAQUI."
"Eu não vou lixar nada..." - o Gui enfrentou a chefona
"Ah é, não vai limpar, é?"
"Eu não..." - sacudiu os ombros
"Se não quer limpar então ta expulso..."
"Beleza..."
"Eu vou comunicar isso aos seus pais, mocinho. Essa história não vai ficar assim..."
O Gui, joselito mor, mostrou o dedo do meio enquanto ela estava caminhando de costas para nós, mas sei lá como ela viu:
"Se você fosse meu filho eu te enchia de porrada..."
"Então vem e dá um soco no meu rosto então..."
Não se viu sombra da Raimunda.
A Ju e o Dico colocaram a carteira do Gui no lugar e todos nós fugimos pelo muro para que a bruxa não nos visse saindo.
Chegando em casa levei um esporro da mamys, mas dramatizei ao extremo o que houve e até ganhei comidinha gostosa...
Agora to aqui curtindo um filme na Sessão de Sexta-feira e não consigo mais escrever porque fui usar justo os dedos da mão que escrevo pra lixar as carteiras e agora eles estão praticamente em carne viva...
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