Curitiba, 26 de Março de 2003.
Durante as aulas mais nenhuma provocação...
A briga já saiu das portas da escola e a turma se dividiu entre gangues (nunca pensei que faria parte de uma e agora me sinto culpada pelo inevitável rolo).
Ontem tivemos uma briga feia: o Gui praticamente esmagou o Márcio de tanta porrada.
Meu, eu gritei de emoção e senti prazer em vê-lo ensanguentado no asfalto e as putas fazendo aquele escândalo pra chamar a Raimunda, a PM e até a TV, se duvidar...
Um ponto pra nossa gangue...
Já hoje as provocações ganharam uma proporção terrível, dividindo o povo da nossa sala.
Na frente dos profes agimos com discrição porque se a Raimunda souber que estamos brigando, chama os pais de todo mundo e o que eu menos preciso agora é de problemas. Os que tenho já me bastam!
Bilhetinhos rodando pela classe e sendo trocados durante as 3 primeiras aulas. Mensageiros "neutros" gerando mais discórdia e o Gui convocando a turma do metal pra tocar horror na saída.
Quarta aula...
A Raimunda reúne todos os alunos dos Ensinos Fundamental (quinta a oitava) e Médio para assistir a uma palestra sobre profissões.
Catamos nossas mochilas e íamos vazando quando o Márcio me colocou contra o muro e pôs um revólver mirando minha cabeça. Nem me movi de pavor.
Quando o Gui foi tentar reagir, o fedorento FDP ameaçou:
"Se você avançar, estouro os miolos da patricinha." (eu, patricinha?desde quando?)
Estávamos apenas em 3 por ali, mas de 3 nos tornamos 5 e de 5 éramos uns 30 ou até mais...A notícia se espalhou bem depressa.
Fazia tempo que eu não rezava. Sabia que não estava no caminho certo, então tinha medo de que Deus ignorasse minhas preces, mas rezei mesmo assim.
Enquanto o Gui tentava negociar com o Márcio, a Paty e a Vanessa se estapeavam logo ao lado e a Pri, MDM (meio do muro), tentando apartar a briga e apanhando junto.
A Andrea, nem rockeira, nem maloqueira e muito menos MDM, se desesperou ao ver uma arma apontada na minha cabeça e foi chamar a Raimunda, pelo que consegui entender dos fuxicos da idiota da Cris.
O Leitão, amigo fiel do Gui, deu uma chave de braço no Márcio, que tirou a arma da minha cabeça e apertou o gatilho pra balear o Leitão, mas a Pri é quem foi o alvo. Ela caiu na calçada.
A rinha da Vanessa parou e todos ao redor ficaram estáticos, chocados e até mesmo amedrontados com aquela cena sombria.
Eu ouvia esses fatos na TV e imaginava que minha realidade não chegaria a ser essa, porém agora eu era uma personagem daquele enredo e não sabia se era a mocinha ou a vilã.
Quando a Raimunda chegou, se deparou com a Paloma chorando em cima do corpo da Pri. Ela agonizava de dor, mas não conseguia mais se mover.
O sangue já escorria pelo asfalto e a Raimunda, tão logo, já havia acionado camburões da PM e uma ambulância.
A palestra foi cancelada e os alunos foram liberados pelo portão da cancha...
Eu só carregava uma certeza dentro de mim: a briga acabou indo longe demais.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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