Curitiba, 13 de Abril de 2003.
Ontem a Ju me convidou pra ir ao cinema com ela. Chamei o Gui e ele não quis ir... nem ele nem o Cadu...
O Dico ia conosco, mas eu não tava nem um pouco afim de perder meu sábado segurando vela, mas também não queria ficar em casa, né?
Ta certo que a programação da Mano's TV tava legal, porém já estava me cansando de só ver tudo pela TV.
Já que tava curtindo tanto esse mundo tão legal e diferente do meu, resolvi dar um pulinho na favela.
Procurei pelo Mano Jaburu e me disseram que ele tava jogando futebol no campinho de areia ali perto.
Eu fui tão cruel com ele e agora estava disposta a me retratar. ;/
Resolvi torcer pelo time dele e até fazer um coro solitário para motivá-lo.
O time dele ganhou e o que perdeu pagou a comemoração. Os segui até o Bar do Jacinto...
Eles ficaram lá pagodeando, improvisando versos de rap enquanto um mano gravava tudo.
Me senti mó panaca porque o Márcio me deu um "oi" bem de longe e nem sequer me apresentou aos trutas dele.
Será que ele ainda tava de cara pelo que havia acontecido?
Comecei a me sentir uma retardada e me perguntei por que ainda estava ali.
Bem que a mamys, a Julia, o Cadu e o Gui haviam comentado que não era uma boa entrar nesse negócio...
Parece que bem naquele dia os FDPS resolveram humilhar os, segundo eles, posers de mano e mina.
Não sei se foi a maldita TPM (bem que notei o quanto to feia e gorda), mas todas aquelas palavras destruiram minha admiração por eles.
E pensar que perdi de ir ao cinema pra estar num bar no meio de um monte de caras ridículos e metidos a estrelas só porque aparecem na tv.
Pra piorar tudo, na saída esbarrei na PP e ela me solta um comentário:
"Veio fazer o quê?'
"Não é da tua conta..."
"Se não fosse por tua causa a Pri ainda estaria viva..."
"Você deveria dizer isso a si mesma..."
Saí correndo o mais rápido que podia e tentei não olhar pra trás. Cheguei chorando à casa e me tranquei no quarto.
Mamys, é claro, quis saber o que houve.
Bateu insistentemente na porta do meu quarto.
"Que foi, Tita?"
"Nada, mãe."
NADA?NADA?MEU SONHO ACABOU... :/
"Ninguém chora por nada. Abre essa porta..."
Abri a porta e voltei a deitar na cama.
Estava profundamente humilhada pra prosseguir conversa.
De tanto minha mãe querer saber o que havia acontecido, fui obrigada a contar a verdade.
Levei um sermão daqueles e ainda tive que aguentar a risada dela:
"Sabia que essa mania de querer ser cantora de rap ia acabar..."
OBS: Odeio quando todos ao redor estão certos e sou obrigada a reconhecer isso: essa fase de bancar a mana da quebrada ia acabar da mesma forma que começou.
sábado, 17 de outubro de 2009
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